terça-feira, 16 de outubro de 2012

A ELEIÇÃO 2012 EM GETULINA [PARTE I]

A votação em números

Eram 18h13min do domingo, 7 de outubro, quando a Justiça Eleitoral, por intermédio de um programa disponibilizado no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), finalizou a apuração dos votos aqui em Getulina. Pouco mais de uma hora após o término da votação, os moradores da cidade já sabiam quem seria o prefeito de 2013 a 2016, além dos nove vereadores que ocupariam a Câmara no próximo ano. Se foi uma contagem de votos rápida? Foi incrivelmente veloz, a ponto de a maior cidade do país, São Paulo, conhecer os seus representantes pouco depois das 22 horas. O Brasil pode se orgulhar disso.

Aqui, deu Gutão. O candidato do PMDB, que tem como vice o professor Pina, obteve 1.990 votos, ou seja, 32,62% das opções. Em segundo lugar ficou Toninho Maia, do PTB, com 1.759 escolhas, o equivalente a 28,84% dos votos válidos. O candidato Chiquinho, do PDT, ficou na terceira colocação com 1.593 votos, ou 26,11% do total validado. Jota, do PT, teve 703 votos (11,52%) e Ulisses, do PPS, reuniu 55 votos (0,9%).

No pleito para vereador, tivemos: Edinedi (PTB) com 285 votos (4,64%); Fátima Bernardes (PSDB) com 267 (4,35%); Fio Caliani (PTB) com 246 (4,01%); Carlito (PR) com 225 (3,66%); Maninho (PSDB) somou 220 (3,58%); Betobica (PMDB) teve 202 (3,29%); Diguinho (PT) angariou 179 votos (2,91%); Motoradio (PMDB) aglutinou 174 (2,83%); e Alcides Despachante (PV) conquistou 165 eleitores (2,69%). Toninho Lima, do DEM, que teve 204 (3,32%), e Dinaldinho, do PSDB, com 182 (2,96%), embora tenham sido mais votados que Diguinho, Motoradio e Alcides, perderam as cadeiras na Câmara por causa dos quocientes eleitoral e partidário. Mais à frente falaremos sobre esses cálculos.


No total, Getulina tem 10.765 habitantes, de acordo com dados do Censo 2010 realizado pelo IBGE (www.ibge.gov.br/cidadesat). Desse universo, nem todos votam aqui, da mesma forma que eleitores residentes em outras localidades vieram a Getulina no último fim de semana só para votar. O fato é que o eleitorado do nosso município registra 8.485 pessoas. Dessas, 1.929 não votaram, fazendo com que a abstenção chegasse a 22,73%. Isto é, 6.556 cidadãos, ou 77,27% do universo de eleitores, foram às urnas no último dia 7.

Dos mais de 6.500 eleitores que compareceram às 25 seções de votação, 283 (4,32%) anularam seu voto para prefeito, enquanto que 173 (2,64%) votaram em branco na eleição para o Executivo. Esses votos não são contabilizados, restando como válidos um total de 6100, ou 93,04% dos presentes. No pleito para vereador, dos 6.556 eleitores que votaram no domingo, 6.142 (93,69%) escolheram alguém ou uma legenda. Foram 5.601 votos espalhados por 73 candidatos, enquanto que 541 eleitores optaram pelo voto na legenda (ao invés de digitar os cinco números de um candidato a legislador, o votante aciona só os dois primeiros referentes a um determinado partido, e essa escolha auxilia a sigla e, consequentemente, a coligação (se for o caso) a atingirem uma preferência maior). Fora isso, 264 cidadãos (4,03%) anularam seu voto para vereador e 150 (2,29%) digitaram a opção “branco”.

[continuação no post de amanhã]

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O PALMEIRAS CAMINHA PARA O DESCENSO, MAS AINDA NÃO É O FIM

Esqueça os cálculos. O futebol não se limita a uma conta ou outra, e, justamente por isso, é o disparate mais amado e odiado no mundo. Não há lógica e coerência. Apenas o sentimento incondicional de ver o clube do coração vencer, não sem antes sofrer e tremer de medo frente à iminência da derrota. Mas tentemos analisar com razão um esporte que de racional nada tem. Não fosse passional, o futebol não seria o que é. Seria, sim, uma modalidade qualquer, como o mais chocho dos esportes.

A situação do Palmeiras é terrível, e não faltam palpiteiros e torcedores a jogar a toalha, decretando o segundo rebaixamento do alviverde, dez anos depois do insucesso do time de Levir Culpi. O Verdão parece fadado a cair, ainda que esse mesmo futebol já tenha pregado peças em profetas de todos os lados. Nem a imprevisibilidade bretã parece resistir a um Palmeiras tão medonho.

Primeiro, o time é fraco. Em outros tempos, a maior parte dos titulares não serviria como terceira opção. Thiago Heleno, Leandro Amaro, João Denoni, Márcio Araújo, Obina, Luan, Betinho, Patrick – só pra citar os titulares de hoje – são péssimos, e o clube teria dificuldades para retornar à primeira divisão, caso descesse, com um time desses. Valdívia, o Mago, que mais fica fora do que joga, quando atua é nulo, porque não fez gol, nem deu assistência neste Brasileiro-12, e ganha fortunas. Se salvariam Bruno, Henrique, Marcos Assunção e Barcos. Talvez Wesley e Maicon Leite, também, porém pouco atuam por motivo de contusão.


Não nos esqueçamos de Luiz Felipe Scolari, o ex-técnico, que chegou com status de grande campeão e gravado na mente palmeirense como vitorioso na primeira passagem pelo clube, conquistando o êxito mais importante da história da Sociedade Esportiva. Felipão envelheceu, não se atualizou, e percebeu que não dá mais para pegar um time meia-boca – embora nem isso o atual Palmeiras seja – e fazê-lo ganhar. Taticamente, o futebol se encontra em um novo estágio, nível este que Scolari não galgou, parando no tempo com os pré-requisitos da pegada e do incentivo psicológico. Foi conivente com a contratação e escalação de vários desses jogadores.

Mesmo assim, fez o Palmeiras campeão no primeiro semestre. A Copa do Brasil veio, sobre o Coritiba, para tirar um jejum de quatro anos e dar de volta ao clube a vaga na Copa Libertadores do próximo ano. Enganou-se quem julgou o time capaz só pelo troféu ganho, porque em Copas, em partidas mata-matas, um time ruim pode fazer um jogo bom, abrir confortável vantagem no primeiro confronto e assegurar a classificação para a fase seguinte. Mesmo sem jogar bem, avança. Nos pontos corridos, se fizer uma ou duas partidas convincentes em meio a uma série, encalha ou afunda.

Perder os mandos só tornou mais dramática a trajetória no campeonato. Por culpa de alguns torcedores, o clube foi punido, tendo que jogar a mais de 150 km da capital. No primeiro teste em Araraquara, derrota ante um concorrente direto, no último minuto, de pênalti, com a crueldade que tem sido pouco amiga do Porco. Sair de São Paulo, a essa altura da competição, foi mais uma pá de terra na cova. Convenhamos, a torcida paulistana é bem mais vibrante a numerosa que a interiorana. O povo daqui é mais quieto, sossegado e, neste caso, intercede menos em prol do time. Na atual conjuntura, o Palmeiras necessita que a massa empurre os jogadores para frente, à vitória.


Politicamente, o clube está esfacelado. Não há unidade, o discurso diverge e não existe no Palmeiras a dedicação de todos à entidade. Os grupos se viram contra a instituição, em favor de seus interesses. Aparentemente, boa índole não faltou a Tirone e Belluzzo, atual e último ex-presidente do clube, mas a falta de capacidade administrativa de ambos somada ao esforço dos grupos oposicionistas em tumultuar o ambiente comprometem o Verdão há alguns anos, desde a saída da Parmalat. Contrata-se mal, fazem-se times pouco competitivos e o torcedor sofre.

A tabela do Palmeiras não é nada animadora. Nos oito jogos que restam, na ordem, o time irá enfrentar: Bahia (F), Cruzeiro (C), Internacional (F), Botafogo (C), Fluminense (C), Flamengo (F), Atlético Goianiense (C), Santos (F). A única partida fácil talvez seja a penúltima, contra um Atlético já rebaixado. Além de enfrentar times com alguma pretensão no campeonato, o elenco palmeirense não inspira confiança. Independente dos adversários, é fato que o Palmeiras, enquanto clube, faz um esforço grandioso para ser vexame outra vez.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

MALAFAIA, O PASTOR, APONTA NOS OUTROS O QUE É DOS SEUS

Religião e Política. Escrevi sobre isso nesta semana, como vejo a mistura dessas duas instituições que, até o advento da República, eram indissociáveis. Tudo parece regredir. Haddad vai à missa, Serra recebe apoio de Malafaia. Não há a preocupação em aperfeiçoar o espírito. São só interesses, seja do lado partidário, seja do time cristão.

Acho que Serra passou do tempo e o governo do PSDB não é dos meus favoritos, pois restritivo, contrariando a essência da política. Haddad concebeu a proeza de falhar em dois ENEM's seguidos, como ministro da Educação. Não legislo por ninguém.

Sou contrário às religiões, pois acho que todas têm um vínculo muito humano, como é natural ser, e mais distorcem do que esclarecem uma definição sobre Deus, um estreitamento do contato espiritual entre homem e divindade. Ora por má fé, ora por limitação inerente, falham na missão que, reconheço, é árdua, de tornar racionalmente lógico aquilo que não se pode ver ou tocar.


Nesse jogo entre política e religião, alguns evangélicos parecem exceder mais, e digo isso mesmo tendo amigos, alunos e minha querida Giovanna como pessoas pouco ou muito alinhadas às nomenclaturas pentecostais.

Ouvir o pastor Silas Malafaia chamar Haddad – ou seja lá quem for – de preconceituoso é de uma hipocrisia abissal, comparada ao período conduzido com arreio, chicote e fogo pelo catolicismo. Só falta a Malafaia, por exemplo, entender que homossexualidade não é pecado, porque ninguém peca por não ter controle sobre suas escolhas, por amar de modo a infringir um falso código moral de um grupelho, por querer alguém, naturalmente.

O pastor tem a sua igreja, programas na TV, mas não se contenta com "só tudo isso". Não me surpreenderia vê-lo candidato em 2014 ou 16. Como se não bastasse todo esse repertório, o dedo em riste é corriqueiro. Só para emaranhar ainda mais política e religião e comprovar o conservadorismo de ambas e da sociedade brasileira.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

EU NÃO DESEJO QUE O DESFECHO SEJA CRUEL COM CARMINHA

Não que eu seja um telespectador assíduo de Avenida Brasil. Pelo contrário. De toda a novela, eu devo ter visto uns 10% da trama. Só que como o país discute mais do que deveria esse assunto, é possível saber, mesmo que por cima, quem é quem na história de João Emanuel Carneiro. Enquanto Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) são terrivelmente más, Tufão (Murilo Benício) é um otário, daqueles que nos fazem querer tê-lo como nosso credor ou gerente de um banco.

Em tese, a vilã da história é Carminha, e o clamor popular atua no sentido de que ela se lasque na sexta-feira da semana que vem. Ou até antes, se possível, embora, ao que consta, ela já tenha passado por maus bocados no meio da novela. O apelo é pela vitória de Nina, mas, imperceptivelmente, torcemos por ela, pois, assim como a personagem vivida por Falabella, somos hipócritas. Aceitamos as nossas barbaridades. As dos outros, jamais. Nina é tão cretina quanto Carminha, embora aquela tenha a seu favor o fato de haver sido uma criança sofrida. Se Mandela fizesse vingança, a África do Sul estava a se matar até hoje.


Sou contra a derrota de Carminha. Se a arte reproduz as vicissitudes da vida, nada mais justo a personagem de Adriana Esteves triunfar. Lembro-me do final da novela Passione, de Silvio de Abreu, em que Clara, interpretada por Mariana Ximenes, barbarizou a vida de Totó (Tony Ramos). No fim, enquanto seu comparsa Fred (Reynaldo Gianecchini) terminou na cadeia, ela conseguira escapar, livre de qualquer perseguição, em um país de raras belezas naturais. Ela enganou e matou, mas venceu, e afrontou o senso comum, porque o público gosta de tudo muito fácil e correto. Só que de facilidade e correção a vida – e o próprio telespectador – não tem nada.

O que se ouvia era: “Como a vilã não morreu ou foi presa? Olha o exemplo que a novela dá!”. E a realidade, caro internauta, que exemplo concede à ficção? Nenhum. O cotidiano é repleto de injustiças, desencontros e canalhices por todos os lados: no trabalho, tem sempre algum safadinho querendo te ferrar; nas ruas, quantos já não tentaram te passar a perna? Na política, sobram representantes que compram votos, que descumprem promessas, que te fazem de Tufão. E que você e eu não nos eximamos dessas culpas, porque é da nossa índole a malandragem aqui e acolá. A maior parte de todas essas coisas não é punida. Por que Carminha há de ser?


A condescendência com a afronta e o crime é tamanha, que ao vermos o STF botar os corruptos no xadrez exaltamos os ministros, especialmente os que votaram pela condenação. No fundo, eles não fazem nada além do básico, que é punir quem infringiu as normas que regem a sociedade e que devem ser válidas a todos, abastados e miseráveis. Mas como a justiça se tornou virtuosa, ao invés de ser praxe, ficamos incontidos quando a bagunça é desfeita e as peças, botadas em seus respectivos lugares.

Ao maravilharmo-nos com a punição a Zé Dirceu, Genoino, Delúbio, Marcos Valério, Roberto Jefferson, afirmamos que a vida é recheada de desilusões. Se as mesmas frustrações daqui estiverem lá, na tela, haverá ali um retrato pouco caricaturesco da vida real.

Que Nina case, seja com quem for. Que Tufão use a sua experiência de enganado para abrir mais os olhos. Que Carminha termine bem, sem morrer, sem ser presa, porque a resolução de todos os nossos problemas, verdadeiros ou fictícios, não passa, necessariamente, pelo abatimento dos incansáveis vilões.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

MAIS IDEIAS E MENOS SHOW

Tive a oportunidade de assistir a um trecho do debate entre o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney, candidatos à presidência dos Estados Unidos. O pleito norte-americano acontece em 20 de novembro. Tirando o fato de que Obama estava estranhamente desconfortável, o que favoreceu o adversário, mais incisivo, o confronto entre ambos serviu para escancarar ao Brasil que o nível das nossas eleições é raso. E é bem possível que a gente viva sob essa égide por mais algum tempo. Por aquelas bandas, o político encara a eleição com maturidade e seriedade, esclarecendo ao cidadão a real dimensão do contexto atual e daquilo que precisa ser feito.

Não que a lucidez e o tom civilizado devam ter presença integral ao longo de toda a campanha nos EUA, mas que a exceção à regra é o escândalo, a histeria, isso parece estar posto de modo bastante claro. Por lá, o que se viu foi uma discussão estritamente técnica, envolvendo temas como economia e saúde. Seria tolice da parte de Romney não apontar falhas nos quatro anos de mandato do seu oponente, mas tudo feito de modo educado e, o principal, oferecendo alternativas – viáveis ou não. Quem se interessar por acompanhar o debate completo da última semana entre os presidenciáveis americanos, sem legenda e dublagem, basta acessar http://www.youtube.com/watch?v=aYKKsRxhcro.

Aqui acontece o oposto. A despeito de algumas raridades, o candidato parte para a baixaria, às acusações pessoais, ou lança mão das frases de efeito, os clichês que acabam por tocar a carência e esperança do eleitorado mais órfão, mas que são desprovidos de consistência. Não é suficiente ao postulante a cargo político afirmar que “a população merece uma cidade melhor”, que “é hora da mudança”, que “juntos faremos uma sociedade melhor”. Eu ficaria perplexo se algum candidato pregasse o inverso disso. No país das maravilhas, a Alice sabe que tudo será feito, mas a forma como as benfeitorias serão viabilizadas é que é o cerne da discussão. Sobre as acusações, não adianta afirmar que o oponente é cretino, se o acusador não prova por A + B que é mais capacitado que ele.


Como a imprensa é responsável, na maior parte do tempo, por inserir na sociedade e na própria agenda dos candidatos a tônica da disputa, recai sobre o jornalismo o papel de exercer o seu trabalho com a frieza que pede a ocasião, sem vender uma neutralidade inexistente ou saltitar diante de picuinhas que não trarão benefícios ao pleito. Além de ter um lado, a imprensa brasileira é uma jovem atuante no processo eleitoral, porque o mesmo retornou há pouco mais de 20 anos, e isso faz dela incapaz em momentos pontuais da corrida. O nosso jornalismo, especialmente o mais robusto, ainda tropeça na vontade de fazer um bom trabalho e nos interesses escusos que perpassam as empresas midiáticas mais graúdas.

Além de canais de informação pouco maduros e políticos mal preparados – intencionalmente ou não – a outra ponta dessa equação é ocupada pelo próprio eleitor brasileiro, que ainda não possui bagagem suficiente para encarar um confronto mais maçante entre candidatos, onde se debatam problemas e soluções para as cidades. É muito mais agradável acompanhar troca de acusações ou uma aparição mais folclórica e humorada, do que se concentrar, informar-se e compreender uma discussão mais cirúrgica e propositiva. Embora o “Efeito Tiririca” tenha sido menos presente nessas eleições, há que se ter um eleitor menos alienado.

Enquanto a imprensa informa sobre este e aquele desvio do candidato, no passado ou no presente, enquanto a justiça se incumbe de punir quem se enquadra em crime eleitoral, civil ou penal, o cidadão olha para a disputa em Washington e percebe que Obama e Romney não teriam muita chance aqui. Porque, de um modo geral, o eleitor brasileiro entra na tendência avacalhada do nosso processo eleitoral, com frases bonitas e troca de animosidades gratuita, e se esquece de que é necessário aos postulantes discutir a cidade e suas carências. Ah, o votante se esquece também de que ele próprio precisa dialogar e tomar ciência sobre o lugar onde vive.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A CÉSAR..., A DEUS...

Impressionante como política e religião se misturam cada vez mais, especialmente em período eleitoral. E não dá pra saber ao certo se o político irá corromper o religioso ou se este tornará o político alguém pior, tamanhas são as sacanagens nos dois âmbitos. Padres e pastores se candidatando não faltaram, assim como não faltou por parte de quem era candidato empenho em buscar apoio nas agremiações de maior apelo. As religiões agradecem.

Até 1889, ano em que houve o advento ao regime republicano, o Brasil tinha o catolicismo como religião oficial, ranço que ainda perdura num país que tinha tudo para ser liberal, mas é conservador como poucos. A levar-se em conta toda a opressão social e econômica sofrida ao longo dos anos, a nossa elite, afilhada dos interesses dominantes internacionais, é grata ao fato de o Brasil se enraizar nessa passividade revoltante. O fato é que a partir de 15 de novembro de 1889 esse país se tornou laico, e nada de limitar aos cidadãos, goela abaixo, esta ou aquela nomenclatura religiosa.

Algumas dúvidas surgem: não há choques entre empreender uma ideia religiosa, que busca abarcar pessoas, independente de outros posicionamentos, e ao mesmo tempo atuar na política partidária, que tem como marca ser uni ou bilateral, apenas? Os candidatos não usam suas condições de conselheiros espirituais para ganhar votos, já que arrebanham ali, em uma única seção ritualística, centenas de pessoas? O dinheiro que permeia as instituições religiosas não é taxado. Diante disso, como é usado esse capital? As “nomenclaturas da fé” que apóiam candidatos querem o quê em troca da coalizão?



Em suma, até por prudência, melhor não misturar as esferas, porque o “candidato cristão” sai em vantagem por se relacionar com uma massa que está ali, ao menos em tese, por questões espirituais, e não concretas, como é o caso da política, que além de lidar com problemas de ordem material tem como marca a troca de favores e influência e o conchavo de interesses. Convenhamos, não é – ou não deveria ser – por esse viés que a religião atua. Mantendo os templos fora da disputa, a religião volta a abranger como lhe é de dever, e não restringir. Sobre as finanças, assim como não acontece em poucos casos, a prática de reinvestir a verba doada por fiéis em veículos de comunicação é tão atabalhoada quanto tirar o dinheiro dos centros religiosos e levá-lo à política. Do contrário, é vantajoso ao extremo angariar o “capital de Deus”, limpo, sem escalas.

Não pensem as outras religiões que essa aliança questionável é privilégio só de católicos e evangélicos, enquanto os demais são inalienáveis. As duas religiões estão mais envolvidas nesse processo, pois são as que detêm o maior número de seguidores e, aos olhos da política, isso tem viabilidade hedionda. Se as demais fossem maiores, estariam igualmente ligadas à política. Nesse ramo, nada é feito sem barganhas, e as instituições menores não têm muito a oferecer.

No texto de amanhã, as diferenças entre as eleições daqui e dos Estados Unidos que, em 20 de novembro, definem o próximo presidente. O que a disputa entre Obama e Romney tem a nos ensinar.

domingo, 7 de outubro de 2012

GUTÃO É O NOVO PREFEITO DE GETULINA. DOS NOVE ATUAIS VEREADORES, SÓ TRÊS SE REELEGERAM

Uma hora e quinze minutos após o término das eleições, Getulina já sabia, pelo site do TSE, que seu novo prefeito, oficialmente, era Gutão (PMDB). O agora chefe do Executivo, que já fora vereador por um mandato (2001-2004) e vice-prefeito por duas vezes (2005-2008 e 2009-2012), conquistou o direito de administrar Getulina com 1990 votos (32,62%). Toninho Maia (PTB) ficou em segundo lugar com 1759 votos (28,84%). Em terceiro, Chiquinho (PDT), com 1593 (26,11%). Jota (PT) ficou em quarto lugar com 703 (11,52%) e Ulisses (PPS) recebeu apenas 55 (0,9%).

O eleitorado getulinense é formado por 8485 pessoas. Como 1929 se abstiveram, ou seja, 22,73% do total não foram às urnas, o eleitorado que compareceu foi de 6556, ou 77,27% do todo. Desses mais de 6 mil votantes, 6100 escolheram algum candidato a prefeito, enquanto que 283 anularam e 173 votaram em branco. Não restam dúvidas de que foi o pleito mais acirrado dos últimos anos, sendo que a diferença do primeiro para o terceiro não chegou a 400 votos. A baixa votação para Jota e, principalmente, Ulisses chama a atenção. O último não chegou a 1% das escolhas. Outro dado interessante em uma eleição com muitos candidatos e três deles polarizando os votos: o prefeito eleito teve pouco mais de 32% do voto popular, ou seja, 68% da cidade não tiveram em Gutão a sua principal escolha. Coisas da democracia.


Para vereador, tivemos: Edinedi (285 votos), Fátima Bernardes (267), Fio Caliani (246), Carlito (225), Maninho (220), Betobica (202), Diguinho (179), Motoradio (174) e Alcides Despachante (165). A questão do coeficiente foi decisiva para tirar da câmara dois dos atuais vereadores que foram bem votados: Toninho Lima (204) e Dinaldinho (182). Dos nove vereadores que estão atualmente na câmara de Getulina, só três se reelegeram: Carlito, Maninho e Betobica. Depois de um bom tempo, teremos novamente mulheres (duas) como legisladoras, e quiseram os eleitores que fossem elas as mais votadas entre os 74 candidatos. Aqui, dos 6556 votos, 6142 foram válidos, enquanto que 264 anularam seu voto para vereador e 150 assinalaram a opção “branco”.

No decorrer da semana, mais análises serão feitas por este blog, não só se restringindo a Getulina, mas dimensionando o pleito de modo geral.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SE RUSSOMANO FICASSE QUIETINHO, NÃO SERIA O MONSTRO QUE É

Não que eu tenha certa propensão a gostar do Russomano, candidato do PRB à prefeitura de São Paulo. Ao invés. Celso Russomano surgiu para a política pelas mãos de Maluf, e quem tem ou teve qualquer relação com o dito cujo já está com a ficha suja, porque o descendente de libaneses é raposa, e não é de hoje. É evidente que o afilhado do engenheiro saiu do PP quando viu que o Don Corleone do partido continuaria a centralizar todas as ações nele, Maluf. Russomano queria ter vida própria, e, ao lado de Paulo Salim, o máximo que iria conseguir era ser deputado. Ele queria mais.

E não é que Russomano está na primeira posição na preferência do paulistano para assumir o cargo de prefeito? Por ora, bota os dois maiores partidos do Brasil no bolso, com Serra (PSDB) e Haddad (PT) empatados na segunda posição. O nanico aproveitou o apelo que tem com as classes menos favorecidas, conquistado na época em que era repórter sobre direito do consumidor, para surpreender os mais apressados. Não só isso. Aliou-se aos evangélicos, uma massa sem fim. De quebra, conseguiu dois benefícios: votos em bloco de uma classe enorme e unida e a grana dos fiéis, que entra e sai das igrejas sem pagar impostos e é usado sabe-se lá como. Russo tem a mão lavada aqui. Amanhã lavará a dos pastores? Política e igreja se misturando? Preocupante. De qualquer modo, moral da história: o candidato é figurinha certa no segundo turno do pleito, com “sérios riscos” de vencer a eleição municipal mais importante do país.


Falo em “riscos” porque é assim que a grande imprensa do estado enxerga Celso Russomano. Três momentos nessa corrida eleitoral foram marcantes: primeiro, Serra nadava de braçada e o noticiário, o mais neutro possível, posto que era desnecessário atuar em cenário tão calmo. Segundo, Russomano, com quatro mandatos de deputado federal, além de uma candidatura ao governo de São Paulo, em 2010, salta a primeiro e Serra corre o risco de nem ao segundo turno ir, em vista do crescimento do petista Fernando Haddad, muito em função das entradas de Lula e Dilma na campanha. A imprensa fica atônita. Terceiro, em dez dias Russomano despenca nas intenções, e, mesmo continuando na dianteira, vê a imprensa comemorar, pois agora a derrota no segundo turno é mais concreta.

O momento de apreensão do jornalismo paulista, quando da primeira colocação e manutenção na ponta do peerrebista, foi externado na série de denúncias que surgiu justamente nesse período. Que Russomano não deve ser flor que se cheire, não resta dúvida, já que quase ninguém é. Mas, dois questionamentos: Por que o lado podre do candidato apareceu somente depois que a sua vitória parecia consumada? Fernando Haddad e, especialmente, José Serra são tão puritanos, a ponto de parecerem anjinhos ao lado do capeta Russomano?


É que outra vez o nosso jornalismo tenta vender a aparência de isenção, quando na realidade nem precisaria. Soaria menos hipócrita. Porque muito mais fácil e profissional seria se os veículos declarassem publicamente que têm como preferência o candidato X, dizer por que o escolheram, porém tratar todos os concorrentes com igualdade de espaço e profundidade e compromisso com as informações, independente de que momento ou posição um ou outro se encontre. Seria bem mais digno e profissional, assim como ocorre nos Estados Unidos. Lá, as empresas comunicacionais deixam evidente de que lado estão, e mesmo assim conseguem atuar num nível de profissionalismo jornalístico à frente do Brasil.

Embora a sociedade esteja mais atenta às investidas da imprensa, os altos e baixos de uma eleição estão, mais do que se devia, à mercê do jornalismo que, por sua vez, decide a agenda do que aconteceu ou não. Os menos instruídos, aqueles que disponibilizam de poucos canais de informação, ficam mais vulneráveis ao que a imprensa gorda divulga. Mas daí a afirmar que o jornalismo decidirá um pleito é um exagero que não cabe para o ano de 2012. Mesmo Russomano não simbolizando uma ruptura, uma vertente revolucionária – aliás, longe disso –, sente na pele o desagrado dos brutamontes da informação. Ele se tornou o vilão que jamais seria se não incomodasse os também grandalhões, só que da política, Haddad e, principalmente, Serra.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

SUBSTITUIÇÃO NO TIME DO FUTEBOL: sai o placar, entra o dinheiro

Na minha infância, quando eu já era uma criatura apaixonada por futebol, esperava que algumas coisas relativas a esse esporte pudessem acontecer mais adiante. Talvez o jogo de botão, as camisas do glorioso São Paulo que compro desde 1991, quando ainda tinha seis anos, os títulos do clube e da seleção com os quais vibrei, as idas aos estádios (Morumbi e Maracanã entre eles) alimentaram em mim algumas esperanças que, hoje, se frustram.

Esqueçam o futebol como esporte, como disputa, como representação étnico-cultural que já fora outrora. O jogo de estádios abarrotados, acessíveis a quem quer que fosse. É bem verdade que o torcedor era jogado nas arquibancadas, sem o menor conforto e segurança. Mas, agora, a higiene é tanta, a sofisticação também, que o futebol que antes abarcava, agora exclui. Em campo, ainda se vê representada a mescla de etnias marcante no Brasil. Na platéia, a elite é cada vez mais assídua. Por isso, os cantos são mais fracos e o protesto é sem fundamento. Hoje, o cara vaia e, em seguida, sorri de lado. O amante do futebol de desde sempre quase não consegue mais entrar em um estádio, pois não se acha ingresso nem por R$ 10. Para o clube, é melhor ter a garantia de audiência em casa, negociando com a Globo os direitos de transmissão, do que encher estádios e dar de volta a esse esporte incrível a sua essência. Futebol é negócio, meu caro.

Quando pequeno, pensava na possibilidade de ver a seleção disputando uma Copa em casa. Hoje, às vésperas disso ocorrer, me pego querendo ver o time perder, de preferência pela Argentina de Messi, com requintes de crueldade. Mesmo assim, ainda hei de sofrer mais pela derrota de 1950 do que por esta, que, tomara, deverá vir em fase de quartas-de-final, no máximo. É claro que o time pode engrenar em dois anos, mas parece pouco provável que isso aconteça. Em outros tempos, como em 2002, a situação era ainda pior a um ano do mundial. Só que o time, sensacional.

  
O problema de hoje não é só a falta de treinamento adequado, mas o descompromisso do jogador, a falta de consciência do que representa vestir a camisa amarela. Soma-se a isso as falcatruas nos bastidores, especialmente com a construção e reforma de estádios. É inevitável gerar não em poucos o efeito contrário no torcedor, e este querer a desgraça, e não o êxito. É claro que uma coisa não exclui a outra, mas o pensamento é de que, se o Brasil perder, toda essa afronta terá vingança. Agora, falando friamente, o que começou irregular, irregular terminará, seja com vitória ou fracasso brasileiro.

Essa é a mesma seleção que convoca jogadores contestáveis. Mas daí a dizer que tudo acontece pelas ligações entre técnico e empresários é exagero. Imagine! Você com essa mania de ver maldade sempre... Mas que soa como interesse particular, e não técnico, tático e físico, não há dúvidas, algo que sempre houve. Em pequena escala, para não dar à vista, mas houve. Ninguém conhece o atleta, ele é convocado, está na maior vitrine que existe e, portanto, é valorizado a níveis estratosféricos. De um dia a outro inflaciona milhões, é vendido, e técnico e empresários lucram com a venda. Maracutaia? Claro que não, tudo coisa da sua cabeça...



Outro indício de que futebol é mais dinheiro do que esporte são os amistosos da seleção, comprados recentemente por uma empresa do Qatar. Por jogo, a CBF irá receber US$ 1 milhão para atuar onde e contra quem a ISE (International Sports Events) quiser, e não a torcida brasileira ou, ao menos, a própria CBF. Isso só até 2022, no mundial que irá ocorrer... no Qatar. Apenas coincidência? Claro que sim, ou você achou que a CBF negociou: “Você, Qatar, compra as partidas do Brasil e eu, Confederação, te escolho como sede da Copa de 22”. O voto de Teixeira, à época, foi esse, os jogos do Brasil são propriedades da ISE, empresa do Qatar, até 2022, mas não há nada de escuso nessa história toda. Nada!

Você está desiludido com o futebol, com a seleção? Acredita realmente que as convocações, a Copa e todo o resto têm manobras obscuras? Você é da opinião de que a corrupção de todos os lados está disseminada, que os ingressos estão demasiadamente caros para um espetáculo sem tanto valor? Você se indigna porque o elitismo invadiu os estádios e transformou as arenas em teatros, em salas de cinema? Dane-se você.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

É IRRACIONAL – PORQUE IMPOSSÍVEL – QUERER VER TUDO

Após ser ordenado por Deus a disseminar o Seu nome aos demais, Moisés questiona: “mas quando eu chegar lá, dizer que falo em nome de ti e perguntarem quem és tu, o que digo?”. Respondeu Deus: “Diga-lhes que eu sou o que sou”.

Eu imagino que Moisés tenha ficado cabreiro, porém, obediente, atendeu ao pedido divino de propagar a quem quer que fosse o nome daquele com quem ele conversara, mas jamais vira. Nunca ninguém O vira, e isso causa nos homens regozijos e questionamentos.

Se eu estivesse no lugar de Moisés talvez não falaria, mas pensaria: “Ai, caramba! Como é que Ele quer que eu chegue a um lugar e diga a todos, depois de perguntado sobre quem é Deus, que Ele é o que é?”. A solicitação do Criador é indigesta, porque desprovida de qualquer referência.

Quando não conhecemos ou vemos alguma pessoa ou coisa, invocamos a necessidade de características que nos tragam, não o objeto ou o ser em si, mas a sensação deles. O cheiro, o som, uma descrição detalhada que contenha altura, largura, peso, cor, ajudam a nos aproximar do que não podemos ver ou tocar.


As religiões trabalham muito com isso, com os símbolos. É o testemunho que alguém dá em público, o sinal da santíssima trindade, as imagens de santos, as ofertas, os livros que servem como base às mais diversas nomenclaturas e as metáforas que tentam passar um entendimento maior acerca de algo distante. Tudo isso faz com que Deus ou qualquer outra entidade superior se achegue, torne-se mais real, já que a verdade nua e crua é distante.

Na sala de aula é assim também. Se o professor não trabalhar com exemplos, vídeos, fotos, atividade prática, adeus teoria. É por isso que os acadêmicos de Jornalismo, por exemplo, enaltecem o profissional do campo de trabalho. Porque o jornalista da rua torna palpável tudo aquilo que o estudante só ouve. Quando os exemplos da experiência vêm, pronto: é o esclarecimento. Se vier a dúvida, ótimo.

Pela limitação de todos nós, buscamos sempre uma ancoragem, qualquer referência em que possamos nos escorar. A gente busca a materialização de tudo para facilitar a compreensão e encobrir o comodismo de não refletir sobre nada que não seja cartesiano. E o Iluminismo apresenta uma necessária contradição: se comprovar tudo é impossível, ambicionar isso não chega a ter certa dose de paixão?