terça-feira, 11 de setembro de 2012

HÁ ONZE ANOS, OSAMA

Há onze anos, nessa exata hora, o tal do Bush estava com a viola em caco, e resumia naquele momento a sua incapacidade que mais tarde completaria, pasme, oito anos de mandato. O texano era o cara errado, na hora errada – ou seria certa? Um ano antes, em uma eleição duvidosa, o republicano ganhou o direito de presidir os Estados Unidos, numa disputa com o democrata Al Gore, então vice de Clinton. Com menos de um ano de gestão, Bush estava com um Osama na mão e duas torres no chão.

O que no início se desenhava como um problema, mais adiante serviu como o trunfo de W. Bush ao segundo mandato, que conseguiu sem grandes dificuldade e indícios de fraude. O presidente usou a sensação de medo, o sentimento de impotência e de que alguma coisa poderia acontecer a qualquer momento para implementar na população americana a dependência do Estado, invertendo-se perigosamente a lógica: a política passava a ser maior que o povo. Os atentados de 11 de setembro, contraditoriamente, foram perfeitos aos anseios de Bush. Ele era, a partir dali, o herói protetor de que tanto os Estados Unidos precisavam.

Lembremos de Bin Laden. Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputavam o alinhamento dos demais países ao capitalismo e socialismo, respectivamente. Quando o exército soviético chegou ao Oriente Médio, o governo americano precisava criar uma força de resistência ao avanço vermelho. No Afeganistão, tente arriscar quem foi financiado e treinado pelos Estados Unidos. Sim, o barbudo mais conhecido, amado e odiado do planeta.


Naquele 11 de setembro, eu ainda na escola cursando o terceiro colegial via a mídia lamentar e o mundo, escandalizado, a acompanhar o que causara tudo aquilo. Ninguém sabia, porque o desconhecimento da história é algo tocante. As bombas soltas em Hiroshima e Nagasaki são eventos normais. As torres incendiadas, não. Guantânamo e o embargo a Cuba, normais. O World Trade Center vindo abaixo, não. O incentivo às ditaduras na América Latina, inclusive no Brasil, coisa pouca. Os atentados, uma afronta. Tudo isso é uma tolice, e deixemos de fora o chororô só pra um dos lados.

É necessário saber analisar tudo aquilo com certa frieza: os mais de três mil mortos no 11/09 eram inocentes. Os que morreram por mãos americanas, também. E não é difícil compreender, até porque um certo físico já propusera: para toda ação existe... Isso mesmo. É muita cafajestagem – e burrice – estraçalhar os outros e julgar que nada acontecerá de volta e, quando ocorre, dar chiliques. Embora Deus me reprove e o capeta vibre, confesso: não me chocou e entristeceu em demasia ver o WTC ruir tão facilmente.

Os mortos naquela manhã de setembro pagaram injustamente pela política externa americana praticada durante anos. Porque em guerras ou em disparates deste nível, os culpados normalmente se escondem, e resta à vítima inglória morrer. Por falar em morte, vítima e Estados Unidos, há exatos 39 anos, também em um 11 de setembro, era deposto, para logo em seguida morrer, Salvador Allende, presidente chileno eleito democraticamente, trocado à força pelo ditador Augusto Pinochet, pois não era visto com bons olhos adivinhe por quem?

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