quinta-feira, 12 de julho de 2012

NÃO TEM DADO CERTO TORCER CONTRA

Se eu dissesse que torci, ensandecido, contra Corinthians e Palmeiras, nesta última semana, seria uma verdade hedionda. São-paulino que se preza torce para que os rivais percam, com requintes de crueldade se possível, assim como a recíproca é mais do que verdadeira. Até por isso, não venhamos com o complexo de vítima, do “todos contra nós”, porque isso é do futebol e é o que move a paixão do torcedor mesmo quando o seu próprio time não está em campo. Secar o rival não é um luxo desse ou daquele torcedor, assim como o monopólio do sofrimento não torna heróico um só clube, posto que torcer e sofrer formam uma dupla e tanto e acometem qualquer um, seja de onde for, que aprecia uma bola de pé em pé, um golaço ou um chutão pra longe.


Se eu dissesse que a tristeza de ver os dois principais rivais triunfarem foi imensa, também não seria mentira. Em épocas de vacas magras, em que o quarto ano parece se encaminhar para aumentar o jejum tricolor, notar corintianos e palmeirenses vibrando é ruim e incita aquela ponta de inveja. Em determinadas circunstâncias, ver o adversário no chão pode ser melhor do que um êxito pouco empolgante do próprio time. Mas, após inúmeros insucessos, o Corinthians conquistou a tão sonhada Libertadores e o Palmeiras chegou a um título de expressão depois de 13 anos. Não há nada que possa ser feito contra o que está consumado. Os gigantes estão ativos e as camisas que entortam varal, frase de um autor que desconheço, colocam-se ainda mais fortes.


A cada gol perdido pelo Coxa, a cada pressão do Boca frustrada era uma esperança a menos, uma certeza a mais de que a minha torcida, assim como para o São Paulo, não surtiria efeito. Riquelme e Everton Ribeiro decepcionaram, porém nada comparado ao que Luís Fabiano e Lucas protagonizaram, além de todos os que desde 2009 representam tão mediocremente o time. Mas nada que esteja tão ruim que não possa piorar, e a diretoria são-paulina dá um show de incompetência e antidemocracia. Como desgraça nunca é de mais, o semestre não poderia se desenhar pior ao tricolor, com Corinthians, Palmeiras e Santos erguendo taças. Eis um duplo fracasso: não ganhar nada, ao passo que os principais oponentes faturam títulos importantes.


Mas olhemos o todo com menos paixão, aquela que costuma cegar e ceifa o esclarecimento. O time corintiano é, do ponto de vista tático, dos melhores que surgiram no Brasil nos últimos anos. Tem organização e disciplina táticas, coisa tão rara nos jogadores brasileiros, que supõem ser superiores aos demais, fato hoje não observado com tanta facilidade como antes. Isso posto, talvez pela primeira vez na história seja possível arriscar que não há favoritismo do time europeu em relação ao sul-americano, prováveis finalistas do mundial de clubes, em dezembro. As disparidades tática e técnica que normalmente se mostram, entre Chelsea e Corinthians praticamente inexistem. O problema é o desmanche que parece assombrar o alvinegro paulista.



Já o Palmeiras é o inverso quando o assunto é disponibilização tática. Embora empenho não falte, além de possuir jogadores individualmente inferiores, no cumprimento da função tática seus atletas também não são dos melhores. Mas o alviverde tem uma bola parada impiedosa, e pode parece lugar comum, mas a dita cuja vence jogos aos montes. E o Palmeiras foi à final assim e despachou um time que, grosso modo, é melhor. Escorando-se nisso, não são poucos os que dizem que o time venceu sem merecer, mas quem bota a bola na rede é merecedor da vitória, amigo leitor. Se o Palmeiras não pressionou, mas fez dois gols, o mérito está aí, e não em criar chances e não convertê-las. O bicampeonato da Copa do Brasil veio, junto com a vaga para a Taça Libertadores.


         
          Os hinos do “campeão dos campeões” e do “alviverde imponente” entraram na mente do rival acuado e perturbaram as previsões dos secadores outrora otimistas. A máxima do “todos contra um” sempre existirá, porque pode parecer contraditório – e é, de fato –, mas a massa empurra o time estrangeiro ante o brasileiro ou, em duelos caseiros, incentiva o mais frágil, o clube menor, com menos tradição. Mesmo quando o normal seria desligar a TV e dormir, a ânsia de ver o adversário ruir chama o secador a acompanhar o jogo quieto, sem alarde, mas doido de vontade de berrar quando o time, por quem não tem o menor afeto, faz um gol, elimina o arqui-rival e tira deste a taça de campeão. Mas quem marcou o tento e levantou o troféu foram corintianos e palmeirenses, enquanto o são-paulino aqui permanece na fila, zombado por não ter, por hora, um time vencedor.

Um comentário:

  1. DE GIBRAN LACHOWSKI

    Já fui flamenguista. Já fui são-paulino. Hoje em dia vribro quando um bom time vence. E também gosto quando a Argentina ganha do Brasil (risos). Amei quando o Paraguai bateu o Brasil nos pênaltis tempos atrás. E, sinceramente, futebol, para mim, é algo belo, mas que não deve ter tanta importância assim a ponto de enxergarmos argentinos como inimigos, por exemplo. Somos, antes de torcedores, humanos que precisam se solidarizar uns com os outros, sobretudo quando as causas são nobres. Pra fechar: esses dias apareci com uma camisa do Grêmio, mas só porque não achei uma do Internacional. Força, Thiago! Continue na labuta de escrever diariamente, pois isto cansa e faz bem. Fé...

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